segunda-feira, junho 02, 2008

Sex and the City (2008)

O grande dilema do fim-de-semana, entre mim e minha esposa, foi se deveríamos assistir a "Indiana Jones" ou a "Sex and the City".
Cedi, e ganhou a segunda opção.

Minha primeira preocupação foi se eu, que nunca fui um espectador da série televisiva, entenderia o enredo do filme, ou melhor, se os produtores do filme honrariam apenas aos fãs (quer dizer, às fãs) e ou se também pensariam nos perdidos, como eu, que acabariam acidentalmente na sala de cinema.
A surpresa foi que, em poucos segundos de introdução, o filme de "Sex and the City" realiza um belo resumão de 6 anos de série e adentra no que é mais importante: o assunto do filme.

Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) finalmente se casará com Sr. Big, com quem manteve um turbulento relacionamento por anos.
É óbvio que nenhum casamento no cinema ou nas novelas pode ser bem-sucedido de cara e todos estes desencontros, paralelamente às tramas das outras três amigas - Samantha, Charlotte e Miranda -, comporão os dramas necessários a um bom enredo.

O filme agrada, mas muito mais pelas tramas secundárias, mais humanas, ou mais engraçadas, do que por causa do enredo principal. As piadas são espontâneas e o filme é engraçado sem precisar de muitos malabarismos.

Por outro lado, é um filme explicitamente feminino, tanto nos temas, quanto em sua própria estrutura. Os homens são personagens acessórios, geralmente apresentados numa posição quase antagônica, um objetivo a ser conquistado, criaturas a serem dominadas. Fato que por si só não significa nada demeritório, já que comumente a ótica é a inversa, com protagonistas masculinos absortos numa luta ególatra por poder.

As mulheres de "Sex and the City" são, ou se tornaram, os símbolos da feminilidade do século XXI, independentes - financeira e emocionalmente -, que valorizam o relacionamento interpessoal desde que este não prejudique suas próprias individualidades. Só vale a pena uma amizade ou um amor se este não se interpuser aos objetivos de vida; felicidade não combina com auto-anulamento.
Um aspecto curioso foi que boa parte das espectadoras do filme não pertence à geração que acompanhou a série - entre 1998 e 2004. Há muitas jovens, provavelmente espectadoras de reprises, mas que demonstraram sua admiração a esta série que se tornou um mito da TV contemporânea.
Não podemos nos iludir, no entanto, que as quatro amigas representam a totalidade das mulheres americanas, nem sequer das nova-iorquinas. Elas são espelhos dum mundo movido a marcas famosas e a homens sexualmente ativos, mas que relegam às sombras toda a outra sorte de mulheres - intelectuais, undergrounds, despojadas, solteironas amargas, ou prisioneiras de éticas religiosas... -, que fogem ao escopo do que a série pretende, ou do que o mundo quer ver.

Para nós, homens, o filme vale quase como um estudo antropológico, como um mergulho num universo tão distinto, tão avesso, mas ao mesmo tempo tão indissociável do nosso.

3 comentários:

ANGEL Tostes disse...

Muito bom o comentário! Acho q resume o que realmente o filme representa, ainda frisando alguns esquecimentos, como as solteironas amargas e as beatas...rs

Mateus disse...

Muito bom o texto, parabéns cara!

Leonardo Maturana disse...

Olá Henry,

gostei dos comentários que fez ao meu conto. Concordo com a maioria (principalmente quanto ao começo e a redundância) e, daqui para frente, ficarei atento a alguns toques que você me deu.
Desculpe se fui chato demais no meu comentário, acontece que gostei muito de Ninguém pode saber e me empolguei na indignação.

Gostei do seu blogue e vou acompanhá-lo. Infelizmente não vi Sex and the city para comentar.

Parabéns pelo blog e obrigado pelos comentários.

Abraços