sábado, novembro 18, 2006

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)




"Somente a dor é positiva", dizia Schopenhauer. Talvez esta seja a melhor explicação para o grande mistério envolvendo a crítica: por que os críticos preferem malhar um filme ao invés de elogiá-lo?
A crítica deveria ser, a princípio, a análise das partes constituintes de determinado objeto e a avalição de como tais partes se articulam. Porém, comumente, a crítica se desenvolve como a constatação de que a articulação é falha e como o objeto é, por isso, deficiente.
Isto é inevitável. Quando se trata de filmes ruins, além de ser muito mais fácil de se falar sobre eles, há um prazer imanente em atacá-los. "Somente a dor é positiva" e o desprazer que certo filme nos causa é o solo sobre o qual obtemos algum prazer, ao apresentarmos suas falhas.
Talvez seja por isto que demorei tanto tempo para criticar "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Assisti a ele umas dez ou doze vezes e sempre me encanto com este filme.
A trama é despretensiosa: Amélie descobre, escondida há quarenta anos, na parede de seu banheiro, uma caixinha de brinquedos. Ela decide que devolverá tal descoberta ao dono e, se isto mudar a vida dele, ela, daquele momento em diante, dedicará sua vida a ajudar as pessoas.
Tudo neste filme é encantador, começando com a intérprete de Amélie (Audrey Tautou), passando pela trilha sonora, pelo roteiro magnífico, pela direção de arte e, principalmente, pela fotografia. "Amélie" é uma obra de arte em último sentido, proporcionando prazer estético pelo maravilhamento que causa. É daqueles filmes que se ama - inclusive chega a ser cultuado - ou se odeia, mas não há quem fique indiferente diante dele.
O diretor Jean-Pierre Jeunet atingiu o ápice de carreira neste filme (até que prove o contrário!); preparou-se para ele em "Delicatessen" e o imitou em "Eterno Amor"; "Alien, A Ressurreição" é um corpo estranho...
É difícil saber se "Amélie" um dia se tornará um clássico do cinema, ainda mais em nossa época, quando tudo é tão efêmero que já nasce ultrapassado, mas, certamente, é uma obra-prima de beleza e encantamento.

5 comentários:

Andi disse...

Concordo absolutamente contigo! Sou uma das pessoas que adora o filme, ou não fosse este o meu filme de eleição!

Fica bem.

Marcio disse...

Um dos meus "Top Ten". A riqueza da galeria de personagens só encontra equivalente na construção da personalidade da própria Amélie, interpretada com delicadeza e luminosidade pela doce Audrey Tautou. Recriando para o cenário urbano o clima dos contos de fada da infância e realizando um trabalho magnífico na direção de atores e na condução do humor com o romance água-com-açúcar, Jeunet realizou sua obra prima. "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" é um filme que já nasceu um clássico. Visite meu blog em http://cultmovies.multiply.com. Abraços!

Daniela Ortega disse...

Gostei de tudo o que vc disse.

Anônimo disse...

Esse filme é especial. Tem um colorido incrível e trata de como a vida é simples. Nós é que tornamos tudo complicado.

Anônimo disse...

Filme de gay!