domingo, agosto 07, 2005

Super Size Me - A Dieta do Palhaço (2004)



A proposta é interessante: fazer todas as refeições durante um mês em lanchonetes da rede McDonald's.
No entanto, Morgan Spurlock força nas tintas e o filme se torna uma caricatura de si mesmo.
Discípulo de Michael Moore, o novo papa da crítica anti-americana feita por americanos, Spurlock comete os mesmos erros deste, porém, sem conseguir os mesmos acertos.
Qualquer um que entenda um pouco de metodologia científica sabe que, numa pesquisa, deve-se possuir uma amostragem representativa, para que os dados estatísticos possam ser obtidos de maneira imparcial. O organismo humano é algo bastante complexo e é notório que o que causa mal para alguns, é benéfico (ou ao menos não causa reações adversas) a outros. Existem relatos de indivíduos que fumam pesadamente durante décadas sem grandes conseqüências, enquanto outros rapidamente sofrem os malefícios do tabagismo.
A pesquisa genética ainda engatinha nesta área e, aos poucos, tem se descoberto que há genes capazes de lidar com certas susbstâncias consideradas tóxicas ou capazes de metabolizar mais gordura. Portanto, a opção de Spurlock de sujeitar-se a este experimento como cobaia é no mínimo tendenciosa. É possível que se outra pessoa houvesse realizado o documentário, outros resultados poderiam ter sido obtidos.
O documentário, cuja pretensão deveria ser documentar, torna-se num panfleto unilateral contra fast foods. Apesar da boa intenção, Spurlock mune-se da mesma linguagem frenética usada pelas grandes redes de lanchonetes e soca goela abaixo sua tese. Não permite que o espectador retire suas próprias conclusões e está sempre antecipando o que se deve pensar sobre o assunto.
É difícil mensurar em até que ponto a demonização das coorporações alimentícias é uma boa estratégia de ataque. Ao menos parece ter surtido algum efeito, já que o McDonald's passou a divulgar uma tabela com os valores calóricos junto com a venda do lanche, contudo, quem está habituado, em alguns casos viciado, a consumir sempre os lanches desta rede dificilmente mudará seus hábitos graças a "Super Size Me".
Serve como uma advertência, mas jamais como esclarecimento.

9 comentários:

Anônimo disse...

seu babaca! então encha o cu de bigmac!

Henry Alfred Bugalho disse...

Eu prefiro o McChicken mesmo...

Anônimo disse...

certamente que o que não faz bem para uns faz bem para outros, mas no caso de uma dieta hiperlipídica, hiperglicídica e hiperprotéica e ausência de atividade física, não importa a predisposição genética, o indivíduo irá desenvolver sim graves problemas de saúde. O documentário é maravilhoso, no sentido de fazer com as pessoas que tem costume de comer muito em fast food parem e reflitam, é um bom começo!

Daniel disse...

Concordo que o documentário tem um caráter panfletário e carece de alguns requisitos científicos para que seus argumentos sejam validados. Porém, é inegável que algumas informações contidas no filme correspondem a realidade, pois é notório o crescimento da obesidade no mundo, sobretudo nas crianças, e isso tem se tornado um problema de saúde pública. As estratégias de marketing das grandes indústrias e redes de fast food, são exatamente iguais as observadas pelo texto acima, ou seja, panfletárias, persuasivas e também “socam goela abaixo”, principalmente das crianças, a idéia de “lanche feliz” e outros apelos para o consumo como brinquedos, palhaços, parquinhos e etc. Acho que talvez não tenha sido o mais “cientificamente correto” documentário sobre o tema, mas tenho a certeza de que foi muito importante para levantar a discussão sobre o consumo consciente de alimentos.

Henry Alfred Bugalho disse...

Você tem razão, Daniel.

A repercussão do documentário foi uma das maiores responsáveis pela inclusão da tabela calórica nos lanches e nas bandejas dos Macs nos EUA.

Aliás, acredito que esta dinâmica "extrema direita X extrema esquerda" é bastante característica do pensamento americano. Aqui, parece que tudo tem de ser levado à hipérbole para conseguir convencer os outros. Nada de meio termo, nada de moderação.

IDÉIAS DE JuJu disse...

Discordo com os comentarios acima. O documentário, foi debil e preconceituoso, todos os obesos tem problemas de alimentação, mas nem todos consomem mc lanche feliz. A obesidade é uma doença multifatorial.
Infelizmente as pessoas obesas foram o alvo da chacota da vez nesse documentário, mas o fato é: alimentação hiperlipidica tra danos a saúde pessoas tidas como magras como pessoas tidas como obesas.

O documentário foi tão sem graça e teve a mesma profundidade quanto as séries "Jackass".

Gabriela Ribeiro disse...

JuJu, esse documentárionão traz nenhum tipo de bulling ao obesos.. é só uma forma de mostrar os risco que uma má alimentação pode causar..
esse filme devia ser mostrado com mais frequente nas mídias, já que esse é um problema que está ocorrendo no mundo inteiro.
Preconceito é "indicar desconhecimento pejorativo de alguém" e o filme não faz isso.
volto a frizar que eles mostras os danos à saúde causados pela má alimentação.

Anônimo disse...

juju viajou...

Claudia Feijó Sampaio disse...

Infelizmente construir novos hábitos e uma consciência nutricional responsável não me parece tarefa fácil. A cada dia mais, a população em geral tem sido conduzida pela publicidade. Quem não sabe que os fast foods são prejudiciais a saúde? A mente não me parece capaz de superar o uso massivo dos meios de comunicação bombardeando hábitos alimentares, vestimenta, posturas... O mercado se diferencia e destaca determinadas empresas ou mercadorias de acordo com a habilidade de suas estratégias. Acho esse campo perigoso para a humanidade se levar em consideração a ganância como principal combustível de todo esse movimento. Tudo isso me parece levantar questionamentos muito além dos fast foods. A propaganda nos conduz a trocar o consumo de leite (por volta de $ 5,00 dois litros) e uma limonada ( mais ou menos $0,25 o limão que faz no mínimo 2 copos de limonada suíça) por coca-cola: garrafa pet a mais ou menos $ 6,00, lata 250ml: $ 2,49. Para onde estamos caminhando? O que é isso que consumimos, alguém sabe? Ninguém planta chuchu e colhe abóboras!!!! Acoooorda gente! Há que se ter um crivo de responsabilidade antes de se cair na disputa comercial.