terça-feira, agosto 09, 2005

Dolls (2002)


A aspiração por ascensão social conduz Matsumo a romper seu noivado com Sawako e casar-se com a filha de seu patrão. No entanto, no dia da cerimônia, ele recebe a notícia de que Sawako havia tentado se matar e, então, toma uma drástica decisão.
Ao descobrir que está severamente doente, Hiro, um chefe Yakuza, passa a relembrar seu passado, remoer suas escolhas, e resolve retornar ao parque no qual ele costumava se encontrar com uma namorada de juventude.
Haruna Yamaguchi, uma famosa cantora pop, sofre um acidente de carro e, após ter seu rosto deformado, retira-se da vida pública e passa seus dias contemplando o mar.
Takeshi Kitano dirige estes três mitos urbanos, estas três vidas que se entrelaçam e que incomodam a paz cibernética do Japão. São as vozes do Outro, daqueles relegados às sombras, daqueles que tem muito a dizer, porém, que falam numa outra linguagem: o idioma do sofrimento e da dor.
Em alguma medida, todas estas histórias tratam de amor e de escolhas radicais. Não há juízos de valores, pois, em suas misérias, estes seres humanos são arquétipos da sujeição às conseqüências de suas decisões. Após um ato de insurgência, todos eles se movem como marionetes desprovidas de força, esmagadas pelo peso de seu exercício de arbítrio. Não é à toa que Kitano se inspira no tradicional teatro bunkaru, pois, assim como a tragédia grega, o teatro tradicional japonês com bonecos encerra verdades essenciais sobre a humanidade, as personagens trazem em si a falha trágica que impele todo o enredo ao desfecho fatal.
Não somos iludidos com a possibilidade de revoluções, sequer podemos acreditar que os protagonistas desejam mudanças. O que eles buscam são apenas respostas, contudo, tais respostas não estão disponíveis. Têm de ser criadas, concebidas e acolhidas. Porém, quem cria tais respostas é a voz do Mesmo, aquela mesma postura que os excluiu da sociedade, que os recluiu à margem da racionalidade e dos costumes.
"Dolls" é a história da exclusão.
Lembra muito alguns dos "Sonhos" de Kurosawa, desde a fotografia até o ritmo narrativo, não há reviravoltas nem um deus ex machina, simplesmente títeres manipulados pelas mãos do destino.

Um comentário:

André Logan disse...

Ai meu Deus, eu preciso achar esse filme... poutz, parece ser muito bom... adoro filmes que retratam histórias totalmente diferentes e as unem...