terça-feira, junho 21, 2005

História Real (1999)



O irmão de Alvin Straight sofre um derrame. Com 73 anos de idade, meio cego e com problemas nos quadris, Alvin parte então numa extraordinária viagem para reencontrar o irmão, a quem não vê a 10 anos por causa de uma briga. Impossibilitado de dirigir, ele embarca em seu cortador-de-grama e tenta percorrer os mais de 500 km que separam os dois irmãos.
Talvez este seja o filme mais digestível de David Lynch, narrando uma história da maneira mais linear e simples possível, mas com uma habilidade ímpar.
Baseado na história verídica de Alvin (como o título em português já sugere), "História Real" é uma lição de vida. Estamos tão acostumados a criar problemas ao invés de solucioná-los que apenas com a proximidade da morte constatamos o quanto erramos. Alvin percebe que nem sempre é tarde demais e, na sua rota em busca da reconciliação, ele ensina e aprende com as pessoas que conhece. Lynch consegue dirigir um filme desesperadoramente humano e incrivelmente belo.
Com uma trilha sonora emocionante (que lembra em alguns momentos Dvorák) e uma fotografia inspirada, "História Real" é uma experiência cinematográfica singular. Creio que um diretor que consiga atingir a essência do ser humano como Lynch o fez, deve sentir-se realizado.
Como se ainda fosse possível, este filme ainda conta com a inacreditável e estasiante atuação de Richard Fansworth, que com apenas o olhar consegue transmitir todos os sentimentos de Alvin.
É um roteiro que contraria todas as regras de "ouro" hollywoodianas, mas que consegue aproximar o pequeno universo de Alvin ao nosso próprio mundo, já que suas vivências e aspirações também nos são próprias.
Belo, triste e "demasiado humano".

3 comentários:

Diego Sotelo disse...

Depois de ler essa critica vais er dificil nao assistir esse filme em breve :)

Anônimo disse...

Ainda é possivel se fazer um filme na América sem explosões, tiros,violência, toxicos sexo degenerado e aquela mania de grandeza que eles carregam como um fardo pesado. Tocante, nostálgico, humano, sensivel, inspirador e mais um monte de adjetivos. Recebeu o Oscar lá deles pela interpretação do personagem central? Acredito que não. Um filme dessa magnitude e simplicidade não preenche os requesitos para a palhaçada que é a entrega de Oscar naquele pais governado por um analfabeto paranóico.

Erika tudo zen disse...

Assisti ao filme e realmente a história é linda e comovente, sem ser piegas. Sensacional! Recomendo.