domingo, março 20, 2005

Dr. Fantástico (1964)


Este filme satírico do mestre Kubrick é contemporâneo de um clássico da década de 60, "Limite de Segurança" com Henry Fonda (regravado nos anos 90 por George Clooney). Após um general do exército norte-americano ensandecer, um comando de ataque nuclear maciço é dado e o futuro da humanidade é posto em risco.
O presidente dos EUA, por um lado, e um subcomandante do exército britânico, por outro (ambos interpretados pelo impagável Peter Sellers, que faz ainda outro papel no filme, do personagem título, Dr. Fantástico), não medem esforços para evitar que este incidente se converta numa hecatombe com conseqüências inimagináveis.
Nesta comédia, Kubrick atira para todos os lados. Gravado no auge da Guerra Fria, "Dr. Fantástico" é uma crítica a um mundo dividido entre duas potências, as quais, a qualquer momento, poderiam deflagrar uma guera capaz de destruir o mundo. Além disto, ridiculariza os argumentos capitalistas que justificam a perseguição aos comunistas.
O momento alto do filme é a cena antológica de um cowboy (o piloto do avião que lançará uma das armas) cavalgando uma bomba nuclear, que se converte numa sátira ao rumo que os EUA seguiu após os bombardeios nucleares em Hiroshima e Nagasaki.
É muita clara a visão de Kubrick de que, mesmo se o mundo civilizado perecesse numa guerra de proporções globais, ainda assim os líderes das grandes potências ainda seriam capaz de racionalizar argumentos para perpetuar a rivalidade.
O papel mais supreendente é o do próprio Dr. Fantástico (Dr. Strangelove no original), um antigo cientista nazista que, após a queda do Terceiro Reich, une-se aos EUA para ajudar nas pesquisas científicas deste país (o que de fato ocorreu em larga escala, tanto entre os dissidentes que foram para a América como aqueles que se refugiaram na Rússia) e que, habilmente, consegue perpetuar as ideologias do estado nazista ao apelar para sedutoras propostas eugênicas.
Outra participação surpreendente é a ponta feita por James Earl Jones em sua primeira atuação para o cinema.
Uma comédia brilhante e com um humor negro de primeira linha.

2 comentários:

William gótico disse...

é agora eu sei prq não tem comentarios... kkkkkkkkkkkkk o que te convem e alimenta seu ego e sua teoria furada você aceita que fique na página, ou seja... nada!!! kkkkkkkkkkk leia antes a obra de plinio marcos ou assista de preferencia a peça, é uma pena que os livros que você gosta de ler não valem de nada!!! pena mesmo!!! porque são ótimos!!! abração caro amigo "CRITICO"^^

Henry Alfred Bugalho disse...

Este seu comentário era para ter alguma lógica, William, ou é apenas algum tipo de fluxo de consciência beckettiano?

Se você conseguir ser mais articulado da próxima vez, ajuda...