domingo, fevereiro 20, 2005

Jogos Mortais (2004)



Costuma-se dizer que, num bom romance ou filme policial, o criminoso pode ser descoberto pelo leitor/espectador antes do fim, caso ele faça uso da sua faculdade de raciocínio dedutivo.
O cinema, com o passar do tempo, desenvolveu uma fórmula na qual o filme é considerado melhor ou mais envolvente quando justamente a máxima acima for violada. Quanto mais inesperado o fim, melhor a trama.
Fato que é um tanto perturbador, já que o espectador passa o filme inteiro atirando para todos os lados e crendo que a faxineira do hospital, ou o rapazinho que prepara o café expresso numa lanchonete pode ser o criminoso. Tal estratégia, contudo, é fraca e amadorística, pois deixa transparecer a inabilidade do roteirista em desenvolver uma narrativa logicamente constituída sem permitir que a história perca sua atratividade.
Em "Jogos Mortais", dois homens despertam acorrentados aos canos de um obscuro banheiro. Um deles, o cirurgião Gordon, suspeita que tal ato foi cometido por um assassino em série que costuma aprisionar suas vítimas das maneiras mais bizarras possíveis, fazendo com que elas mesmas terminem por se matar. No caso de Gordon, para que sua família não seja morta pelo assassino, ele deve matar seu colega de banheiro, Adam.
Narrado de uma maneira não-linear, "Jogos Mortais" segue a estratégia de finais surpreendentes, mas, neste caso, a comparação feita pela propaganda do filme comparando-o a "Seven" foi fracassada.
"Seven" é um filme infinitamente superior a "Jogos Mortais" por uma série de razões. Entre elas, está a estrutura narrativa, que possui uma lógica interna que conecta todos os crimes, e a revelação do criminoso, que faz parte do corpo da trama. "Seven" é um divisor de águas ao se falar de cinema policial, pois, apesar de o assassino só vir a ser conhecido quase no final do filme, ele é construído de maneira que a investigação conduz os policiais a um indivíduo anônimo insatisfeito com o mundo que o cerca. Em "Jogos Mortais", por outro lado, a motivação do criminoso é secundária às práticas por ele utilizadas. A mensagem do filme é ofuscada por uma série de revelações bombásticas que no fundo são apenas artifícios para captar a atenção do espectador.
"Jogos Mortais" não possui nenhuma característica que o distingua dos outros milhares de filmes sobre serial killers, excetuando por um tendência razoavelmente nova (já utilizada em "Por um Fio") de o criminoso não ser apanhado pela polícia.

3 comentários:

Jana disse...

Discordo! Diferente de Seven, Jogos Mortais não é um marcador de águas, mas tem narrativa impecável e é de uma inteligência pouco vista em filmes comerciais.

Henry Alfred disse...

Oi, Jana, obrigado por sua visita e por seu comentário.
Apesar de ter ouvido muitas pessoas dizendo que gostaram de "Jogos Mortais", eu ainda acredito que o filme não convence (ao menos não me convenceu). Por outro lado, há um filme muito bom com Danny Glover (que é um ator um tanto canastrão) chamado "Um Asssassino à Solta". Consegue ser mais inteligente e bem construído que "Jogos Mortais", o que não é difícil.
Abraços e continue visitando.

Anônimo disse...

bem eu acho que isso já e´passado né
jogos mortais teve 6 continuações e é uma das maiores franquias de terror
vc pode não ter gostado do primeiro
mas tudo vai se encaixando se vc assistir