sábado, janeiro 08, 2005

O Grito (2004)



Traduzir "The Grudge" (O Rancor) por "O Grito" foi uma infelicidade das grandes, principalmente porque em "O Grito" não há mais do que três gritos.
Foi bastante interessante como o diretor Takashi Shimizu adaptou o seu próprio filme, "Ju On: The Grudge", para o público norte-americano. Pois o roteiro se desenvolve de maneira bastante semelhante, inclusive com falas idênticas, até a metade do filme, quando, então, o original e o remake se distanciam. Buscando privilegiar a atriz Sarah Michelle Gellar, ele a transforma em protagonista de uma história que, originalmente, não possuía uma protagonista definida.
O que Shimizu fez nada mais foi do que tornar digestível uma complexa história japonesa em algo atrativo e compreensível para o limitado público ocidental. Em "Ju On", o espectador nunca sabe exatamente em que momento temporal a história está se passando, porque não há nenhuma indicação de que se trata do presente, passado ou futuro. Já em "O Grito", Shimizu, apesar de manter a narrativa não-linear, deixa bastante claro o que é presente e passado. Além disto, ele ainda esclarece qual é a razão de a casa ser assombrada pela alma da pavorosa Kayako, enquanto que em "Ju On" tudo permanece numa aura de mistério e de especulação.
É um bom filme de terror e cumpre sua tarefa de amedrontar (mas não tanto quanto o original).
Basicamente, "O Grito" aborda uma lenda tradicional japonesa, na qual se diz que quem morre sentindo um grande rancor permanece no local da morte, e qualquer pessoa que entrar neste recinto também será vitimada.
Este influxo tremendo de diretores, atores e roteiros provenientes do extremo oriente, assemelha-se muito àquela geração do pós-guerra, quando uma porção de alemães refugiados e atores e diretores do leste europeu contribuíram grandemente para a consolidação da indústria cinematográfica norte-americana. Agora, uma nova linguagem está penetrando em Hollywood, uma linguagem mais sutil, estética e mistificada.
A dúvida que permanece é: será que os orientais mudarão Hollywood ou será que Hollywood tragará os orientais?

5 comentários:

Anônimo disse...

Olá.
Eu desconhecia seu blog e cheguei até aqui através do blog da Denise... li bastante coisa, vi poucos dos filmes que vc opinou, mas gostei. Aparecerei mais vezes por aqui...
Até breve
Aline
www.simplesmentelouca.blig.com.br

Anônimo disse...

Tô indo ver o Grito agora. Se for bom, volto aqui pra postar novamente.

Abraços

Rafael Oliveira disse...

Assisti "O Grito" e também vi que os caras com certeza não foram felizes na tradução do título. Mas gostei do filme. Achei muito bom...e claro que eles iriam valorizar a Buffy...hehehe

Anônimo disse...

Eu gostei do Grito...
Fiquei com medo de ser ruim, pq todo mundo me aconselhou a não assisitr mas até que ele é legal. O problema foi o final dele... Tem tbm alguns erros de roteiro, mas o filme comparado com outras produções desse estilo é bem melhor.

Marco

Henry Alfred disse...

Na minha opinião, "Ju On" ainda é melhor. A trilha sonora americano, composta aos moldes orquestrais ocidental deixa a desejar em comparação à trilha original, minimalista e digital. Bem sabemos que a trilha e os efeitos sonoros representam metade do impacto de um filme de terror.