segunda-feira, agosto 09, 2004

Eu, Robô? Você é que é! (2004)



Uma história interessante. Muitas possibilidades. Mas o roteiro é um fracasso. Por quê?

É extraordinário como os filmes de ficção científica passaram de um gênero B, isto por volta das décadas de quarenta e cinquenta, e se tornam megaproduções campeões de bilheteria.

"Eu, Robô" é baseado no livro homônimo de Isaac Asimov. A história se passa em 2030, numa sociedade na qual humanos e máquinas convivem em harmonia. Até que um cientista é supostamente assassinado por um robô, criação sua. Will Smith é o detetive encarregado de investigar este misterioso crime. Até aí, tudo bem!

No entanto, o filme desanda. Logo começam as explosões, tiros, e robôs dando saltos mortais e voadoras... Isto mesmo, voadoras! Não posso negar que estas cenas me prenderam na cadeira do cinema, na expectativa (ou melhor, na certeza) de o herói conseguir se salvar. Mas uma história tão essencialmente rica, perde espaço para as explosões.

Ontem, passando por uma livraria, vi a reluzente capa da reedição de "Eu, Robô" de Asimov. Como eu imaginava, o livro, com exceção do título, não tinha nada em comum com o filme. Trata-se de nove contos, os quais narram a progressiva evolução das máquinas, de um robozinho babá inofensivo, até o controle absoluto que elas obtêm sobre os humanos. Não há porrada, nem mortes, nem cenas mirabolantes.

O filme é, em si, a expressão do poder que a tecnologia exerce sobre nós, pois subestimam a nossa inteligência bombardeando-nos com efeitos especiais.

O mais triste, porém, é constatar que aqueles primeiros filmes de ficção científica, produzidos com um orçamento restrito, com robôs de papelão e naves espaciais de isopor, estão muito mais avançados em criação e conceito do que o que se faz agora. Realmente, o ser humano perdeu.

7 comentários:

Anônimo disse...

"O filme é, em si, a expressão do poder que a tecnologia exerce sobre nós, pois subestimam a nossa inteligência bombardeando-nos com efeitos especiais."

Ganhei meu dia... =)

Aqui é a Bruh, lá do Orkut. Não vi o filme, muito menos li o livro, mas essa parte do seu post me fez sorrir! hehehe

Um grande beijo!!

www.metaphoras.com.br/daily_sins

Anônimo disse...

Olá, sou o André do Orkut (William)

Eu assisti ao filme e acredito que os comentários sobre os efeitos especiais não são merecidos.
Primeiro: Existe uma trama psicológica no filme, afinal o protagonista é tecnófobo, não porque os robôs irão dominar o mundo, mas pelo fato deles não sentirem como os humanos (no filme existe uma indicação de outra revolução industrial que gera desempregos estruturais e têm vários prejudicados).
Esses dias mesmo questionei o fato de sermos inteligentes e sabermos que somos únicos no universo (Penso, logo existo). Imagine quando as máquinas chegarem a essa conclusão.
Os robôs (ainda) não possuem a inteligência complexa do ser humano. No filme eles conseguem criar um robô com mente similar a do ser humano (simulando inclusive as reações humanas). Imagine ser um tecnófobo num mundo infestado de tecnologia. O sujeito fica paranóico (tomar banho com os olhos e a porta abertos) desconfia dos robôs imaginando a uma revolta eminente contra as leis da robótica.
Viver num mundo assim deve ser sufocante.
O fato é que as cenas de giro vertical (360º graus) que utilizaram para as filmagens finais ficaram impressionantes.
É difícil hoje em dia encontrar filmes de cunho psicológico ou filosófico profundo, os blockbusters são feitos para entreter, não para fazer pensar.

Anônimo disse...

para quem não sabe a inteligencia artificial ja superou o inteligencia humana e reproduzir "reações humanas" não é essa coisa toda que se pensa porque uma sensação humana nada mais é do que um sinal quimico emitido pelo corpo que pode ser facilmente modelado em computador, e os momentos em cada reação deve ocorrer tambem é facilmente modelado por computador, já que no ramo da informatica existe uma area conhecida como redes neurais o qual simula o cerebro humano tanto que os robos automatos passam pelos mesmo processos de apredizagem que passamos

Sony disse...

Infeliz comentário sobre efeitos especiais>

Uma ficção científica, lógico que tem de ter efeitos especiais pra dar veracidade à trama. Pode ser que as viradas de câmeras e as câmeras lentas em algumas cenas sejam um pouco exageradas, mas não chegam nem perto em tirar o brilho da trama.

Tsc tsc.

Henry Alfred disse...

O problema não são os efeitos especiais, Sony, o problema é quando eles subjugam o enredo, fazem com que a trama se encolha diante deles. Quem conhece a obra de Asimov, sabe que a intenção dele é muito diferente.
E acho bastante plausível fazer um filme de Ficção Científica sem utilizar um recurso sequer de efeitos especiais, é para isto que existe criatividade.

Amanda disse...

Eu admiro muito o trabalho de Asimov. Li o livro em quatro dias e notei que a obra não se torna cansativa e desperta o interesse de quem, como eu, é leigo em robótica. Entratanto algumas "lacerações" ocorrem no filme, pois os objetivos são opostos e, portanto, foi necessário apelar para recursos de efeitos cinematográficos visando o entendimento geral dos telespectadores sem se preocuparem com a integridade do livro.

vcalves disse...

É só prestar um pouco de atenção para perceber que, nos créditos do filme, é explicado que o roteiro foi SUGERIDO por Asimov, e não seguido. Então, algumas comparações desta crítica são, no mínimo, infudadas.