domingo, agosto 29, 2004

A Arte de Vencer

As Olimpíadas foram concebidas como uma celebração em honra aos deuses olímpicos. Nestas circunstâncias, todos os melhores homens da Grécia se reuniam e competiam em jogos gímnicos, cujos únicos prêmios eram uma coroa de louros e o reconhecimento público. Numa sociedade onde a excelência individual era valorizada, ser um dos vencedores era mais alta honra concedida a alguém por aquele povo.

Fundamentado nesta mentalidade, os jogos olímpicos foram revividos no século XX, laureando os que provavam ser os melhores em suas modalidades. Fato que, neste último dia de competições, em Atenas, foi violado. É claro que um senso pátrio, por mais tênue que seja, grita diante da medalha de bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima. Não que ele não a mereça, mas sim porque jamais saberemos se ele não poderia ter alcançado mais.

A tristeza de ver um atleta olímpico do Brasil perder por haver encontrado um adversário superior ou por ter fraquejado no momento decisivo não se compara à cena de um maluco invadindo a pista de corrida e arremessando o líder da prova contra a multidão. Vanderlei não deixou de subir ao lugar mais alto do pódio por insuficiência sua; impediram-lhe isto. Pior ainda, impediram que a justiça fosse feita.

Em qual país Vanderlei deveria ter nascido para que medidas justas fossem tomadas? De qual cor deveria ser sua pele?

Vanderlei não recebeu uma medalha de ouro, mas a humildade com a qual ele aceitou o terceiro lugar o colocou ao lado dos grandes atletas olímpicos de antigamente, que se contentavam somente com aquela frágil coroa de louros. Eis a maior lição sobre a arte de vencer.

Um comentário:

Denise disse...

Acho que voce é uma pessoa que Deus moldou em um dia muito especial na vida Dele, e neste dia eu estava chegando e ele sentiu que deveria me presentear com algo muito bom, Ele foi generoso e me deu voce.
Te amo, e amo tudo que voce escreve.
Denise